domingo, agosto 9

queria eu, por um momento não ser eu. 
queria poder ser algo além de mim, mas a verdade é que estou e estarei sempre aprisionada dentro de mim mesma.
na maioria dos meus dias, ao longo da minha meia idade, gosto de ser eu. eu realmente gosto. 
mas no poucos dias, porcentagem bem pequena, eu queria poder sair de mim e não sentir tão absurdamente o quão difícil é ser eu. soa ingrato, eu sei, é que sou ser humano e nós temos essa capacidade incompreesível de ser ingrato algumas milhões de vezes enquanto estamos vivos. 
me sinto tão incompleta no vazio das minhas escolhas. olho pra trás e todos os planos mirabolantes que foram criados por uma jovem de vinte anos, não existem e nunca existiram. 
pensava que seria ou viveria dos meus sonhos, que estaria completamente completa dos meus devaneios juvenis, mas a verdade é que eu não sei onde foi que eu me perdi. 
talvez a vida pra mim não seja tão perfeita quanto eu gostaria que fosse. sei bem que a vida não é perfeita e mesmo que isso tenha passado na sua cabeça agora, eu sei. não sou tão inconsequentemente iludida a este ponto, mas é que tudo que eu sonhava saiu do meu controle. será que em algum momento estive no controle? ah, são tantas perguntas.
o que ficam são memórias de sonhos que nunca foram realizados e mesmo sabendo que enquanto há vida, há uma nova chance, não sei se tenho tempo pra isso. 
não é que eu seja infeliz, mas incompleta talvez, mas quem hoje diria ser completa? eu desconheço.
fica de mim hoje, um sentimento de impotência. 
sou cinquenta por cento do que eu queria ser, sendo bem otimista. não escrevo mais, as pessoas que eu confiava se foram, as que eu ainda confio estão distantes, sinto um peso enorme nas minhas costas, me olho no espelho e envelheci, não sinto mais prazer em fazer coisas que há anos atrás eram meus combustíveis, eu costumava amar e respirar música, mas até isso tiraram de mim, não sou essencialmente eu mais. triste. 
pesado. serei inconformada eternamente.  

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